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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

ABAETÉ: 143 ANOS DE MUITA HISTÓRIA

 Para comemorar o aniversário de Abaeté nada melhor que o grupo criado por Lucas Gabriel e Rita Arruda: Fotos Antigas de Abaeté.

Veja algumas postagens do grupo:

O “TIO” DAS BANANAS
Wagner Tulio Pereira
Nos tempos antigos do Abaeté, tivemos um personagem muito popular e deveras interessante. Trata-se do “tio” das bananas. Talvez esse apelido de tio para as pessoas mais velhas venha desse nosso famoso personagem. O povo do Abaeté é mestre em colocar apelidos e expressões que viraram jargão nacionalmente conhecido como a famosa “tem base?”, que caracteriza mundialmente o povo abaeteense. O nosso “tio” colocava um balaio na cabeça e saia pelas ruas vendendo as preciosas bananas. Sempre dava um desconto, se você comprasse mais de uma penca. Diziam que era muito unha-de-vaca ou pão duro. Ele não comia banana para não jogar a casca fora. Naquele tempo não tinha esse negócio de pesar mercadorias. Era na penca ou nas dúzias. Não tinha comércio para concorrer com essas bananas misteriosas e saborosas. Diziam as más línguas que eram bananas amadurecidas pelo xixi do “tio”, porque ficavam maduras rapidamente e também eram suculentas e tinham mais vitaminas. Nosso personagem trabalhava de sol a sol, apenas descansando no domingo para rezar e preparar sua mercadoria para as vendas no dia seguinte de porta em porta no Abaeté. Conto esse conto para lembrar dos nossos heróis anônimos, gente simples, que deram exemplo de honestidade e trabalho duro. Nesse ano eleitoral milhares de candidatos se apresentam ao povo, debaixo de uma capa de honestidade e santidade para serem eleitos. A maioria dos eleitos esquecem das promessas de campanha e dão as costas para os eleitores logo após as eleições. Precisamos lembrar que vivemos uma enorme crise política e social. Sem uma ampla reforma política com a redução do número de partidos, dificilmente nosso País irá crescer e gerar empregos para todos, principalmente para os jovens. Nosso País se transformou naquilo que os norte americanos gostam de chamar “república das bananas”. Um país atrasado que depende quase totalmente da economia norte-americana. Até quando seremos dependentes do Tio Sam e da China. Por que não voltar a economia para o mercado interno? São perguntas sem respostas há décadas.
O primeiro mundo apenas nos enxerga como plantadores de soja, milho e feijão, fazedor de queimadas e exportador de carnes. E aqui nos supermercados os preços disparam a cada dia com a retomada da inflação e alta de preços. Um País sem conhecimento, cultura e tecnologia, onde faltam projetos de desenvolvimento com sustentabilidade e inserção dos jovens no mercado de trabalho. Os projetos de reforma no Congresso são pífios em relação à dimensão da crise, principalmente após a pandemia. Onde falta pão todos gritam sem razão, já dizia o ditado francês. Milhares de brasileiros estão vivendo na informalidade. Até quando? Nosso coração fica doído ao ver os jovens sem esperança, cruzando a fronteira para o mundo das drogas e do crime. Sem terem para onde ir muitos se dirigem para o mundo da violência, criminalidade e extorsão.
Hoje o mundo é dominado pelas máfias do comércio internacional. No Brasil também prospera essas máfias apenas conhecidas nos filmes, mas que já se tornaram realidade e já estão infiltradas em vários setores da sociedade. Tenho saudades do jeito simples do “Tio das bananas”, que viveu honestamente e sem acreditar em governos ou promessas de campanha. O negócio é comer mais bananas e ter saúde com o potássio e assim melhorar a nossa disposição mental e emocional para agüentar o covid e os políticos nessa hora, porque a coisa aqui não tá fácil. Somente Deus e seus Arcanjos podem nos ajudar. E então viva o nosso “Tio” honesto e trabalhador!

FOI NOS BARES DA VIDA....
GERALDO ROSA DA TRINDADE

Milton Nascimento, canta poeticamente, que.....

"Foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão. Que muita gente boa pôs o pé na profissão. De tocar um instrumento e de cantar. Não importando se quem pagou quis ouvir, foi assim".

Pra mim, tudo na vida foi e continua sendo um grande aprendizado, desde os primeiros passos, passando por toda a vida até a Pandemia do Covid 19.

Comecei a sair pra curtir a noite ainda na pré adolescência, quando iniciei a 5a. Série na CNEC. Naquela época era tudo muito tranquilo e seguro, guardadas as devidas proporções, porque de vez em quando, assistíamos alguma briguinha nas ruas. No começo, os passeios eram só nas praças da Prefeitura, Matriz e Pracinha (hoje Dr. Canuto), e também no Cine Abaeté. Como é bom lembrar do nosso cinema; das músicas pré sessão, dos gongos pra começar; do Jamil, Seu Zeca, Zé Gordo, que cuidavam daquele espaço com esmero, carinho e devoção. Os filmes nem sempre eram novos, mas eram os que tínhamos e curtíamos muito. Algumas poucas vezes no ano ocorria uma grande queda no movimento do centro da cidade, nos bares, nas praças e no próprio cinema; por conta de algum circo ou parque que chegava e se instalava na atual Praça da Telemig ou mais tarde, próximo à Delegacia de Polícia. Contribuía também com essa baixa de movimento central, o nosso famoso Rancho Alegre na Praça da Capela de São José e mais tarde, também ao lado da Delegacia, quando ocorria alguma festa religiosa.

Já me sentindo "adulto" comecei a frequentar os lugares dos meus sonhos; os bares da vida. Não eram muitos, mas eram muito bons e fizeram parte da minha, da nossa história. Ainda hoje, me vejo entrando e saindo várias vezes, com os meus amigos no Porão, no Roda Viva, no Rodinha e também na Camponesa. Como eram todos muito pertos, parecia que estávamos procurando alguma coisa e estávamos mesmo. Assim, entrávamos no Bar e Restaurante Porão, andávamos por todos aqueles seus "salões", falávamos com uns e outros, e se estivesse promissor, ali sentávamos numa mesa e pedíamos uma bebida, quase sempre cerveja. Se sentíamos que ali não teria "futuro", continuávamos com a busca e o próximo passo da garimpagem, era a Churrascaria Roda Viva. A/O Roda Viva, dos irmãos Buriti, era uma espécie de grande Rancho Alegre, aberto e amplo, com mesas espalhadas pelo grande salão e já da entrada era possível ter uma visão geral e irrestrita de quem quer que estivesse por lá. Daí ficava fácil de encontrar outros amigos ou ver se quem queríamos realmente ver estava lá, se estava acompanhada, se estava bonita, se teríamos coragem de nos aproximar, se teríamos alguma oportunidade, se teríamos alguma chance, enfim a cabeça fervilhava sem sairmos do lugar. Muitas vezes nem entrávamos, pois a noite era longa e precisávamos continuar a nossa "busca". Assim, um pouco mais abaixo da Matriz, tinha o Bar e Restaurante Rodinha. Vejo com nitidez, o gramado e uma árvore no comprido terreno, com o imóvel nos fundos. Ali também, sem entrar na parte coberta, era possível ter uma visão ampla do local e sentir se seria oportuno ficar ou se mandar. Voltávamos para o miolo, para a muvuca, que era o quarteirão do cinema, onde todo mundo se encontrava. Aproveitávamos pra dar uma olhadela na Pizzaria Camponesa, que era um espaço onde famílias e casais apaixonados iam pra comer pizzas e curtir um lugar mais tranquilo, sem muito barulho e sem muitos aventureiros/as à procura de uma princesa encantada ou um príncipe encantado. Às vezes reuníamos alguns amigos e amigas, para também comer pizza, afinal ali era a melhor pizzaria da cidade.

Naquela época, durante o período escolar, sair à noite nos finais de semana era quase que contratual. Já nas férias nos dávamos o direito de sair também nas terças ou quartas feira; na terça tinha a Sessão do Troco e quarta, era dia da Quarta Sem Lei, no Cine Abaeté. Os das antigas sabem bem o que é isso, já os mais jovens, ouviram falar. A Sessão do Troco, normalmente era reprise do filme exibido no final de semana, porém com o ingresso pela metade do preço. A esperada Quarta Sem Lei, era recheada de filmes de Faroeste (Bang Bang) ou Kung Fu, também com um preço diferenciado. As férias escolares movimentavam bastante a cidade, pois vinham muitos parentes de todas as famílias, que moravam em outras cidades pra passar as férias. Assim, os nossos Bares da Vida, tinham movimento quase que diariamente.

Às vezes me pego perdido em pensamentos e fico lembrando de quantas vezes eu pude curtir os pitorescos bares de Abaeté e o quanto isso foi importante na minha vida, ali havia felicidade, havia amizade, havia lealdade e porque não dizer, havia igualdade. Todos podiam frequentar, independente de classe social. Todos, independente de cor, partido político ou time de futebol. As pessoas se respeitavam e eram mais tolerantes, a maioria de nós tínhamos limites, tínhamos réguas e sabíamos medir as consequências de nossos atos.


O MASCATE BERNARDÃO
Wagner Tulio Pereira
O termo “mascate” vem do árabe, que significa pessoa que vende mercadorias, jóias, tecidos, faz trocas, catiras. Meu avó Bernardão veio das terras do ouro de Pitanguy para a região do Abaeté com suas malas de mascate ganhar o pão de cada dia e disposto a encontrar uma boa moça para casar. De família muito pobre e sem encontrar pepitas de outro fez sua parada nas Tabocas e por lá conheceu a neta do capitão David Pereira, um dos fundadores do Abaeté. Essa moça Marta tinha uma beleza infinita, pois era descendente dos flamencos ao sul da Espanha. Se apaixonaram e vieram a casar meses depois na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio. O nosso Bernardão acreditou na sorte grande e descobriu um grande tesouro nessa moça bonita das Tabocas. Ele tinha o sangue árabe nas veias e trouxe o dom do comercio e do garimpo. Teve um armazém de secos e molhados na avenida Getulio Vargas com à rua Dr. Antonio Amador onde se vendia toucinho, banha de porco, querosene, cachaçaria, pedras de isqueiro, doces e balas de mel feitas pela Dona Marta. Próximo ao Armazém funcionava o Bar do seu Waldemar turco (libanês) e tinha um ponto de ônibus das linhas que iam para a Serra do Palmital, Biquinhas, Cedro e Morada Nova. As velhas jardineiras sempre empoeiradas, cheias de gente, galinhas e mantimentos mensais para serem levados para as roças. Seu Bernardão sempre gostou de fazer catiras, barganhas, mas não passava manta (tirar proveito) no sujeito humilde da roça, como costumava acontecer com os mascates da época. Eu Sei que os descendentes de árabes muito contribuíram para o progresso do nosso Abaeté. Seu Waldemar Elias e sua família muito lutaram para manter seu bar e padaria naquele ponto movimentado das jardineiras. Gostava de vender e entregar as pururucas naquele bar e ganhar um bom dinheirinho para gastar. Seu Tuffi Andrade e o hotel próximo do cinema, também fez história de sua família no Abaeté. Branco e David turco também tiveram participação ativa no comercio e catiras de automóveis e demais tranqueiras. Nos ensinaram a arte do comércio, valorizando cada objeto como possibilidade de troca e principalmente de amizades. Os árabes são visionários pelas terras da Serra do Capacete, talvez devido aos mistérios subterrâneos daquela região. Jazidas de urânio, nióbio, gás natural, fosforita, verdete, diamantes e outros mistérios que existem por aí e não sabemos. A cada dia fecha a caixa de pandora e abre-se novos portais cósmicos desvendando luzes em nosso interior. Sinto que o mais importante e dar-se conta que nada sabemos. Somos participantes desse movimento de evolução e destruição como verdadeiros Seres da terra. Somos filhos de Gaia, a mãe terra. A lei do retorno está em toda a parte do cosmos. O Cedro do Abaeté nos propicia essa conexão com o céu aqui na terra. Sempre digo que o Cedro pertence ao Indaiá com seus diamantes. Fabricados por mãos divinas.
O Eterno se divide para que cada um possa evoluir, experimentar as águas e o fogo desse planeta e voltar como criança. Sentir a leveza e alegria nesse mundo. O bem e o mal estão sempre juntos, mas necessito perguntar todo dia quem estou alimentando dentro de mim. “Seu Bernardão” foi um sábio em sua vida. Mal sabia ler e escrever, mas tinha uma sabedoria do Ser. Teve honestidade, ética, observação, respeito ao próximo e a uma enorme presença energética. Teve um saber para mascatear (vender de porta em porta) como os “turcos” faziam quando chegavam no Brasil. Tornou-se um bom comerciante, garimpeiro do gamelão gerando empregos como construtor. Em sua velhice ouvia o tique-taque das horas aceitando com tranqüilidade o voar do tempo. Contava as horas que passam e não vemos, estamos dormindo em sono profundo. Ainda hoje posso ouvir os sonidos das águas límpidas do rio Indaiá, descendo pelas corredeiras e escondendo seus diamantes e tesouros ocultos da humanidade gananciosa e predadora. Noutros lugares do planeta a fonte secou, os rios estão sujos, o homem contaminou e o fogo queimou. A natureza reage rapidamente. Final de um ciclo destrutivo. Até onde o planeta e nós vamos agüentar? E agora “ Seu Bernardão”?


Léa Campos
Regina Oliveira
Alguém conhece a historia desta menininha, que se tornou a primeira arbitra mulher. Asaléa de Campos Fornero Medina, mais conhecida como Léa Campos, é a primeira mulher a se tornar árbitra de futebol.
Em 2015, Léa seguia morando em Nova York, nos Estados Unidos da América, com seu marido Luis Medina.
Léa nasceu em Abaeté-MG, em 1945, mas foi criada em Belo Horizonte. A filha de Jairo e Isabel sempre foi apaixonada por esportes.

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